• Carlos Honorato

Paulo Guedes é uma figura admirável. E não necessariamente por seu pensamento econômico


Por ossos do ofício de ser economista, comecei a acompanhar com mais frequência as manifestações do atual ministro da economia, Paulo Guedes. Confesso, que antes dele apoiar Bolsonaro, tinha poucas informações sobre ele, e o máximo que tinha de informação é que ele representava apenas mais um "Chicago Boy" tentando implementar a doutrina liberal-monetarista em uma economia combalida e muito pouco liberal como é a nossa.

Assistindo as entrevistas do "Posto Ipiranga" comecei a me interessar pela pessoa por traz do economista, especialmente pela capacidade de manifestar de forma didática, concatenada e, principalmente, muito convicta, o que se deve fazer na economia brasileira, para literalmente salva-la. Minha admiração vem aumentando, como disse, não pelo conteúdo econômico unicamente, parte substancial do qual eu concordo, mas pela forma como ele assume o papel do "cavaleiro solitário" ou "bandoleiro sem nome", tão comuns em bang bangs a italiana, do arquetipo do solitário em busca de justiça (algo que pode funcionar em filmes de Sérgio Leone, mas provavemente não funciona na República Bolsonarista).

Após sua cruzada solitária na CCJ onde voltou a trazer respostas do tipo "É a mãe", "É a vó" de volta ao jargão popular, a sua participação na entrevista da Globo News na noite de 17/04/2019 minha admiração pela forma e conteúdo atingiu um ápice. Há algo nele de profundamete admirável:

Paulo Guedes é claro, didático e franco: PG, como ele mesmo se nomeia algumas vezes, tem uma verve afiada. Fala com convicção, é apaixonado pela economia e transparece entender do que se propõe. Tem uma opinião franca e diz isso sem papas nas línguas. Não tem problema em interromper os jornalistas e cria o racionício, por mais longo que seja, conduzindo o espectador e os entrevistadores até a conclusão da ideia. É enfático.

Ele conhece os limites: as qualidades listadas acima podem dar um ar de arrogância e soberba a ele. Não sei dizer se tem ou não essas características, mas em contraponto a essa percepção friza os limites que tem. No congresso ao ser interpelado sobre a inclusão da proposta de reforma dos militares, disse: "Eu não incluí! Mas vocês podem incluir, vocês são o poder!". nada mais óbvio, direto e limitante. Ele não tem o controle da situação. Na entrevista da Globo News "olha, se decidirem não aprovar a reforma, vamos ter que trabalhar, mas o caldeirão vai ferver. Ele tem absoluta consciência que poderá ficar pelo caminho, mas está fazendo seu máximo.

PG acredita no que diz: por conhecimento do assunto - o estudo da macroeconomia - e por ter convicções fortes e um propósito de liberalizar o país, para torna-lo mais competitivo, Paulo Guedes detalha o que precisa fazer, como, e com quem, e demonstra uma profunda convicção e legitimidade, porque passa uma certeza pessoal do que precisa ser feito. Isso o leva a se apresentar com transparência em um mundo repleto de fake news, produtos e personagens voláteis e descartáveis. Essa convicção solitária lhe dá uma forma de alguém com consistência e que acredita la no fundo da alma naquilo que vende. É o bendito propósito.

Por fim, ele acaba conduzindo a entrevista como quem está em um bar com chopp discutindo o futuro do Brasil e desnudando seus limites e tropeços, sem falsa humildade, nem modéstia, mas como alguém que viveu e com a experiência e tropeços, se tornou pragmático e ciente de seu papel neste momento da sua própria vida e do país. O que faz dele alguém, admirável!

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© 2020 Carlos Honorato

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