• Carlos Honorato

Estamos Cansados


As pessoas estão cansadas. Há quatro anos atrás vivíamos um clima tenso antes da Copa do Mundo de 2014. Obras inacabadas, denúncias de corrupção com dinheiro público gasto e roubado impunemente, uma presidente mentirosa e soberba e um congresso vendido, já criavam o caldo de tensão e descontentamento e traçavam os rumos futuros que viriam a desaguar no impeachment da presidenta. Quatro anos se passaram e flertamos com o fundo do poço do caos social.

Articulado por uma categoria essencial que está cansada de pagar para trabalhar, o Brasil parou nestes dias e o sentimento de revolta e desilusão é compartilhado por milhões, que mesmo silenciosamente, apoiam tal movimento. Esse sentimento não é exclusivo dos caminhoneiros, excetuando-se provavelmente alguns funcionários públicos, em especial aqueles com salários acima de R$20.000, que focam em manter seus direitos, digamos de forma justa, a grande maioria da população vive sem perspectivas de futuro e crescimento, em um ambiente de forte desemprego, pagando os impostos escorchantes para financiar um estado ineficiente inchado e corrupto.

Mais de 60% dos gastos da previdência social são para a previdência pública; o auxílio moradia no poder judiciário equivale ao dobro do salário de um professor de nível médio de uma escola pública; o nível de investimento do país caiu e será o mais baixo nível em décadas cerca de 1.7% do PIB; uma ferrovia inteira está abandonada e apodrecendo por 850 km em Goiás e Tocantins por completa inabilidade de gestão e corrupção disseminada; o presidente do Senado viajou na sexta-feira para o Ceará e retornou no mesmo vôou – da FAB é claro – quando percebeu a falha de se ausentar; o presidente da Câmara errou por R$ 8bi o custo de uma ajuda aos caminhoneiros e o presidente da República fala em confiança – como se pode confiar em um sujeito cercado (há vários anos) da pior corja de políticos sectários e defensores de um estado das coisas absolutamente fora da realidade. Sem falar no supremo tribunal, antro de vaidade e soberba que vive em uma realidade paralela ao mundo real. São 26 milhões de pessoas fora do mercado, algum desses senhores se deu conta disso?

Em nome do mercado errou-se feio, na fixação de preços dos combustíveis. Ser gestor competente de um monopólio de petróleo é bem mais simples do que fazer uma reforma trabalhista, tributária e administrativa. A miopia do economês em nome do mercado pariu um monstro. E esse monstro pode comer a pária mãe.

Joga-se nas eleições a possível esperança do país hoje liderada por um estúpido, um destemperado e uma fraca – nesta linha não há esperança. O melhor nas pesquisas é um bandido preso, por comprar com propina uma casa na praia. E não há esperança nos candidatos com menos votos, todos parecem vindos da mesma massa amorfa de corruptos e ineptos. Quem está desempregado

Começa a chegar a hora de uma decisão, de uma mudança, a democracia como está, a gestão pública como está, chegou ao limite.

Hoje não é necessário um governo legitimamente eleito, faz-se urgente uma reforma tributária, o enxugamento do estado inoperante, a demissão de funcionários públicos sem concurso, a prisão dos corruptos e eliminação de todos os privilégios no estado. Faz-se necessário uma nova constituição e a substituição de todos esses inoperantes e corruptos. Quem diz que esses grupos são minorias manipuladas de esquerda ou direita, não sabem o que falam. Estamos cansados.

#SacoCheio #EconomiaBrasileira #Macroeconomia

© 2020 Carlos Honorato

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