• Carlos Honorato

A traição de João Dória é muito mais comum entre executivos de empresas do que parece


O prefeito João Dória eleito em 2016 em primeiro turno com 53,29% dos votos válidos, cerca de 3,085 milhões de votos (enquanto 3,096 milhões de eleitores não escolheram um candidato ou não votaram) afirmou que deixará a prefeitura de São Paulo no próximo dia 7 de abril. João Dória havia prometido, que se eleito fosse, não deixaria prefeitura de São Paulo em hipótese alguma, porém, com as mudanças do contorno político decidiu optar por uma candidatura ao governo do estado de São Paulo, abandonando, com um pouco mais de um ano de mandato, a prefeitura da cidade.

Aparentemente para os políticos mudar de opinião ou principalmente descumprir promessas é algo corriqueiro e faz parte da própria atividade política descumprir o que foi prometido, mentir e mesmo negar o que disse ou escreveu no passado. Fazendo um paralelo com as organizações, o descumprimento da palavra entre executivos parece mais comum do que se poderia supor, o fato aqui, é que devemos separar o que é palavra, honra, do que é tomada de decisão. Manter a palavra é algo relacionado a compromissos, valores, opiniões e visões do mundo e tomar decisões refere-se a definir um caminho seguir.

Realmente há situações – uma crise grave, mudança radical de ambiente, ruptura - em que a decisão a ser tomada pode contradizer uma promessa feita - porém, nada que bem explicado de modo transparente, que enderece corretamente essa mudança de opinião se justifique, e, principalmente, por mais tautológico que possa parecer, tal mudança realmente se mostre necessária. Estas situações descritas tendem a ser muito mais raras e radicais e certamente envolvem urgência ou enfrentamento de uma crise. Porém. a velocidade com que as decisões são tomadas, palavras são rompidas e promessas são desfeitas aumenta de forma exponencial em momentos de crise e fica sempre a dúvida: tal mudança de posição era realmente necessária ou foi casuística em nome da manutenção do poder? Converso com executivos que concordam com a afirmação de que a “velocidade com que tapetes são puxados aumentam exponencialmente em momentos de crise”. Mudanças no cenário e no ambiente de negócios são apenas justificativas flácidas diante de manutenção de poder e do status quo.

A diferença entre o líder influenciador e oportunista de plantão é que o primeiro usa seus valores por meio de sua palavra para tocar os liderados e leva-los a fazer o que não fariam sozinhos; o oportunista de plantão usa de sua palavra mutável para galgar possibilidades de poder. Qual é o perfil de quem você hoje chama de líder?

João Dória ao anunciar sua candidatura ao governo usou em uma entrevista (https://www.youtube.com/watch?v=QKdlQgO2s44), uma infeliz analogia com um casamento, onde mesmo pessoas que fazem votos de amor eterno podem no decorrer de suas vidas, ao acaso dos acontecimentos, simplesmente romper de comum acordo, os laços firmados com base em valores em função, certamente de um fato casuístico de momento. A única diferença em relação a prefeitura de São Paulo é que o rompimento é unilateral, em função de uma oportunidade única de poder, sem o conhecimento dos 3 milhões de conjunges que se casaram com Dória por 4 anos, o que neste caso, configura, traição.

#Política #Opinião #Liderança

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